«Não sou fotogénica.» «Fico horrível em fotografias.» «Não sei o que fazer com as mãos.»
É a objecção que ouço mais vezes, e é quase sempre a mesma frase dita por pessoas muito diferentes umas das outras. Vale a pena dizer o que está por trás dela: ser fotogénico não é um traço com que se nasce. É o resultado de ter sido bem dirigido.

O problema não é o seu rosto
A maior parte das fotografias em que uma pessoa não se reconhece têm três causas técnicas — nenhuma delas relacionada com a pessoa: luz frontal e dura, uma lente demasiado próxima que distorce as proporções, e um instante apanhado a meio de um movimento ou de uma frase.
Corrija as três e a mesma pessoa parece outra. Não porque mudou, mas porque deixou de estar mal fotografada.
A quarta causa é diferente e é a que interessa aqui: ninguém lhe disse o que fazer. Quando alguém aponta uma câmara e diz «esteja à vontade», acabou de lhe entregar uma tarefa impossível. Estar à vontade não é uma instrução.
O que é, na prática, a direcção fotográfica
Direcção é substituir «esteja à vontade» por indicações concretas, uma de cada vez. Coisas pequenas, quase mecânicas:
- onde apoiar o peso do corpo;
- o que fazer com as mãos — segurar alguma coisa, apoiar no braço da cadeira, no bolso;
- afastar ligeiramente o queixo em vez de o levantar;
- rodar os ombros alguns graus para não ficar de frente;
- onde olhar, e quando desviar o olhar;
- respirar antes de cada série, em vez de suster a respiração.
Nada disto é natural. Tudo isto é aprendível em minutos, com alguém a dizer-lho na altura certa. É por isso que não precisa de chegar preparada — a preparação faz-se antes, no conceito; a postura resolve-se durante.
O que a direcção não é
Não é pedir-lhe que finja emoções que não tem. Não é transformá-la numa personagem. Não é a promessa de que vai passar a gostar de todas as fotografias suas.
É orientação técnica ao serviço da pessoa que já está ali. O objectivo não é que fique irreconhecível — é que se reconheça, e que veja o que nem sempre estava a ver.
Os primeiros minutos são para isso mesmo
Ninguém chega descontraído. Não é suposto chegar. Os primeiros enquadramentos de qualquer sessão servem para o corpo perceber o que se está a passar e para eu perceber como reage à indicação — há quem responda melhor a instruções directas, há quem precise de conversar enquanto fotografo.
Se pedir para ver algumas imagens durante a sessão, mostro. Para muita gente, ver a primeira fotografia decente é o momento em que o resto da sessão muda de tom.
Tem o direito de dizer «isto não sou eu»
Se uma imagem não a representa, diz-se e ajusta-se. Ninguém tem de aceitar um retrato só porque está tecnicamente correcto.
Isto vale também para a selecção final: recebe uma galeria privada e escolhe com o meu apoio, precisamente para que a decisão não seja tomada sozinha, num momento em que é fácil olhar apenas para o que não se gosta.
Uma nota, para ser honesta consigo
Uma sessão de fotografia não resolve a forma como se vê ao espelho, e não é isso que lhe prometo. O que uma sessão bem conduzida faz é mais modesto e mais concreto: dá-lhe imagens que a representam e que pode usar no seu trabalho sem hesitar.
É por isso que a Geisa, contabilista, escreveu isto depois da sua sessão:
«Eu definitivamente entendi o que ser direcionada a fazer o que deve ser feito! Isso muda tudo!»
Geisa Pereira, contabilista
Não é uma frase sobre fotografia. É uma frase sobre não ter de descobrir sozinha.
E a roupa?
É a segunda dúvida mais frequente, e também não tem de a resolver sozinha — escrevi um guia sobre o que vestir numa sessão de marca pessoal.
Se é isto que a tem feito adiar
Diga-me a sua profissão, onde tenciona usar as fotografias e em que altura gostaria de as fazer. Falamos primeiro sobre o que precisa para se sentir preparada, sem compromisso. Pode também ver três sessões reais no portefólio, com as escolhas feitas em cada uma.

Raiza Barbozza — fotografia de marca pessoal e retrato feminino em Lisboa. Estúdio em Entrecampos, com sessões também em Oeiras, Cascais, Estoril, Sintra, Santa Iria de Azóia e Setúbal.
