A pergunta chega quase sempre antes da marcação: «e eu levo o quê?». É uma boa pergunta. A roupa é a única parte da sessão que depende inteiramente de si — e é também a que mais influencia o resultado, mais do que o cenário ou o equipamento.
Não há uma lista de peças certas. Há critérios. Este texto reúne os que uso na preparação de cada sessão de marca pessoal, para que chegue ao dia sem a mala cheia de dúvidas.

Antes da roupa, a mensagem
A roupa não é o ponto de partida. O ponto de partida é aquilo que a sua imagem tem de comunicar e a quem se dirige. Uma advogada que fala com clientes institucionais e uma terapeuta que recebe pessoas em consulta precisam de coisas diferentes — e nenhuma das duas precisa de se vestir como imagina que «uma profissional» se veste.
A pergunta útil é esta: o que é que a pessoa que vai ver esta fotografia precisa de sentir em três segundos? Confiança? Proximidade? Rigor? Cuidado? A resposta orienta tudo o resto.
Quatro critérios que resolvem quase tudo
1. Cor
Cores lisas e mais fechadas — azul-escuro, bordô, verde, cinzento, preto, camel — dão sobriedade e não competem com o rosto. Tons claros e neutros — cru, bege, branco — abrem a imagem e funcionam bem em luz natural.
Se tem uma paleta de marca, use-a. Uma camisa na cor do seu logótipo, um casaco que combina com o seu sítio: são detalhes que ninguém nota conscientemente e que fazem a fotografia parecer sua.
2. Caimento
Escolha peças que já sabe que assentam bem quando está sentada, e não só de pé. Grande parte dos retratos de marca pessoal são feitos sentada ou apoiada, e é aí que as costuras se revelam. Se uma peça a obriga a estar constantemente a puxá-la ou a ajeitá-la, vai aparecer na fotografia — não na roupa, na expressão.
3. Padrões
Padrões pequenos e muito repetidos (risca fina, xadrez miúdo, pontos) podem criar interferência na imagem. Se gosta de padrão, prefira o de escala média e reserve-o para uma das mudanças, não para todas.
4. Conforto
Não é um detalhe menor. Uma peça desconfortável rouba-lhe atenção durante duas horas, e a atenção é exactamente aquilo de que precisa para estar presente. Roupa em que se sente bem fotografa melhor do que roupa impecável em que se sente estranha.
Quantos conjuntos levar
Três costuma ser o número certo. Não porque seja mágico, mas porque cobre três registos diferentes sem transformar a sessão numa prova de guarda-roupa:
- O que veste num dia normal de trabalho. É o mais importante. É esta a imagem que as pessoas vão reconhecer quando a encontrarem.
- Um registo mais formal. Para propostas, imprensa, palestras, apresentações.
- Um registo mais pessoal. Mais solto, mais próximo. Serve para redes sociais e para o lado humano da sua comunicação.
Levar dez peças não dá dez resultados diferentes. Dá indecisão e menos tempo de fotografia.
O que costuma correr mal
- Roupa comprada de propósito e nunca usada. Não sabe como se comporta e vai descobri-lo no pior momento.
- Logótipos e marcas em grande. Datam a fotografia e desviam o olhar.
- Tecidos muito brilhantes. Reflectem a luz e criam zonas duras onde não deviam existir.
- Peças amarrotadas. A edição corrige pele e luz; não corrige um casaco por engomar.
- Esquecer os sapatos. Em retratos de corpo inteiro aparecem sempre, e são a peça de que ninguém se lembra.
Na véspera
Prepare tudo em cabides, engomado, com os acessórios já escolhidos ao lado de cada conjunto. Prove cada peça sentada em frente ao espelho. Se usa óculos, leve-os — e leve também a hipótese de fotografar sem eles, para ter as duas versões.
Acessórios: poucos e seus. Um relógio que usa todos os dias diz mais sobre si do que um colar comprado para a ocasião.
Não tem de decidir sozinha
Esta é a parte que quero deixar clara. A roupa faz parte da preparação da sessão, não é um trabalho de casa que lhe entrego. Conversamos sobre o que usa no seu trabalho, sobre as cores e sobre a imagem que quer comunicar, e a partir daí ajudo a escolher opções coerentes com o conceito e com a sua personalidade.
Se chegar com dúvidas, resolvemo-las juntas. É para isso que existe a conversa antes da sessão — a primeira das etapas do trabalho.
E se, mesmo assim, não se sentir à vontade?
Também isso está previsto. Não precisa de saber posar nem de chegar com a sua imagem resolvida — a direcção durante a sessão existe precisamente para isso.
Vamos preparar a sua sessão?
Se está a pensar em fotografar a sua marca pessoal, comece por me dizer qual é a sua profissão, onde tenciona usar as fotografias e em que altura gostaria de as fazer. Falamos primeiro sobre o que precisa, sem compromisso.

Raiza Barbozza — fotografia de marca pessoal e retrato feminino em Lisboa. Estúdio em Entrecampos, com sessões também em Oeiras, Cascais, Estoril, Sintra, Santa Iria de Azóia e Setúbal.
